25 setembro, 2012

Da ironia

No final desta semana terei que fazer um teste de gravidez para ter a certeza de que o meu corpo expulsou todos os tecidos. Ironia do destino, não? Fazer um teste com o desejo de que o resultado seja negativo parece-me, no mínimo, irónico.
Neste momento, quero muito que o tempo jogue a meu favor...

24 setembro, 2012

Do princípio... e do fim

Escrevo e apago, escrevo e apago, escrevo novamente na tentativa de racionalizar estes últimos dias e, de certa forma, deixar que os meus sentimentos transbordem cá para fora, sem filtro.

No final de Dezembro de 2011 decidimos que havia chegado a hora de fazer crescer a nossa família. Consulta com GO, abandono da pílula, início do ácido fólico e luz verde para avançar.
Mês após mês, o desejo de conseguir engravidar ia crescendo abruptamente e a frustração era tremenda porque isso não acontecia. Ele, que meses antes tinha a plena convicção de que seria "à primeira", começou a revelar algum desconforto e receio com o passar do tempo. Eu fui lutando contra a ansiedade, essa grande inimiga que me assolava permanentemente.
Ambos depositámos muitas expectativas no mês de Agosto porque as férias possibilitariam mais momentos a dois, longe do stress e da rotina.

16 de setembro de 2012
No Domingo acordámos bem cedo, pelas 7h00. Fiz o teste e sentei-me na base do chuveiro enquanto esperava o resultado. Ele, encostado à porta do wc, ouvia-me dizer:
- "Sonhei que estava grávida..."
- "E estás", respondeu.
- "Oh, estás a brincar?"
Olhei para o teste, extasiada com aquela possibilidade, e era absolutamente verdade. O teste digital acabava de mostrar o resultado: Grávida 1-2.
Nenhum abraço foi tão intenso quanto aquele e, entre sorrisos e lágrimas, vivemos um momento pleno que eu não sou capaz de traduzir.
Seguiram-se dias em que a felicidade estava estampada no rosto. Permiti-me as primeiras carícias na barriga e os primeiros sonhos para aquela vida que crescia dentro de mim. Vivi obcecada com o meu estado de grávida, do qual não conseguia desligar por um único momento. Ele chamava-me mamã e eu, espontaneamente, sorria. Aliás, por estes dias, sorrir era a coisa mais natural do mundo.


20 de setembro de 2012
O despertador tocou às 7h10 de quinta-feira. Acordei de bem com a vida, apesar de sentir as pernas doridas, como se tivesse percorrido um bons quilómetros, e ainda algum desconforto, que eu entendi como sendo consequência da dor constante que havia sentido nas costas no dia anterior.
Um pouquinho de sangue apareceu quando estava no wc, e foi o suficiente para me deixar em pânico. Fomos diretamente para o Hospital e no caminho eu sentia-me sufocada pelo medo. Da triagem fui imediatamente para o piso de Obstetrícia, mas esperei uns longos 40 minutos antes de ser chamada. Quando entrámos no consultório deparei-me com o Diogo. O Diogo foi meu colega de escola durante 5 anos e, naquele momento, ver uma cara conhecida fez-me sentir mais aliviada.
Grávida de 6 semanas e 1 dia, tentei concentrar-me nas palavras do Diogo que, pausadamente, ia explicando o que poderia estar a acontecer. Chamou uma outra médica para me observar, de modo a que eu não me sentisse constrangida. Na verdade, eu não me sentiria nada desconfortável, eu só queria que me observassem de uma vez por todas e dissessem que estava tudo bem, que não tinha passado de um susto, embora eu soubesse que o sangue que continuava a perder fazia adivinhar precisamente o contrário. E o pior diagnóstico confirmou-se. "O teu útero já está vazio, querida", dizia a médica...
Eu perdi o meu bebé.
Aborto espontâneo!