31 outubro, 2012

A espera

Esta dúvida entre esperar ou não pelos próximo ciclos está a deixar-me muito ansiosa.
O meu GO aconselhou-me a esperar pelo menos 2 a 3 ciclos para tentar engravidar novamente. No entanto, no hospital, no dia em que sofri o aborto, disseram-me que deveria usar contraceptivo durante apenas 1 ciclo, enquanto o meu médico de família sugeriu 6.
Desde logo decidi que iria seguir os conselhos do GO, mas agora que já passou o primeiro ciclo e uma vez que não tive qualquer complicação (sinto-me bem fisicamente), confesso que a vontade é largar já os preservativos, deixar que as coisas aconteçam naturalmente, porque quero muito engravidar. Tenho medo, claro que tenho muito medo, de viver outra vez o mesmo pesadelo, mas o desejo de ser mãe é maior, desmesuradamente maior.
Mas será que dessa forma não aumento o risco de poder sofrer novamente um aborto? Já li imenso sobre isto e os testemunhos são tão distintos que fico ainda mais confusa...

26 outubro, 2012

Em segredo...

Como já disse aqui, nenhuma outra pessoa para além da minha irmã sabe que estamos a tentar ter o nosso primeiro filho. Claro que as nossas famílias e os amigos vão questionando "então e para quando um bebé?", mas como não conhecem os nosso planos, não pressionam demasiado. Ainda assim, é sempre difícil encontrar respostas quando nos falam sobre isso. Particularmente, agora que eu sofri uma perda é quase uma tortura forçar um sorriso sempre que alguém me questiona sobre a vontade de ter filhos. Ainda ontem, em conversa com uma amiga de longa data e com a qual não estou já há algum tempo, ela perguntava: "E novidades? Agora que estás mais livre..." 
Eu, obviamente que já sabia ao que estava a referir-se, lá respirei fundo, e respondi: "tudo igual".
A C., perspicaz como sempre, logo suspeitou: "ui, disseste um tudo igual tão triste?"
Consegui disfarçar: "Nada disso, tudo igual é tudo igual", e soltei um sorriso para camuflar o assunto...

Ainda me sinto muito triste com tudo o que aconteceu e esconder isso é extremamente difícil. Não culpo ninguém pelo facto de me tocarem na ferida quando abordam o tema filhos, porque essas pessoas não sabem, nem sequer imaginam, aquilo que tenho vivido, de contrário sei que evitariam a todo o custo essas conversas.

Muitas vezes dou comigo a pensar se todo o secretismo vale de alguma coisa, e não me refiro somente ao aborto. mas sobretudo à decisão de tentar engravidar. Será mesmo que o ideal é ocultar de tudo e todos? Será que o facto de nos fecharmos em copas é a melhor auto-defesa?

25 outubro, 2012

Do ♥

A vida é um misto de emoções! 
Hoje comemoramos o nosso aniversário de casamento e eu sinto-me imensamente feliz por estar ao teu lado e partilhar este amor que cresce todos os dias...
Amo-te

20 outubro, 2012

Preciso acreditar

Exatamente 1 mês após ter sofrido o aborto espontâneo, chega o período. Respiro de alívio por saber que o corpo estará a recuperar bem do "choque", já que não tive qualquer infeção até agora nem houve atraso na menstruação.
Quero muito, muito, muito acreditar que vou conseguir engravidar novamente e que, desta vez, tudo vai correr bem.

12 outubro, 2012

Porquê escrever?

Quando criei este blog não tive mais do que a intenção de exteriorizar o que estava a sentir e de encontrar uma forma de poder falar abertamente sobre esta viagem turbulenta. Escrever sempre foi, para mim, uma excelente forma de me expressar, sobretudo no que toca a emoções. Nestes últimos tempos tenho vivido de forma sufocada, tal a contenção a que me tenho sujeitado...

Quando tive a confirmação de que estava grávida resisti à tentação de dar, imediatamente, aquela que eu sabia ser uma notícia maravilhosa para pessoas muito importantes na minha vida. Só eu e ele partilhámos aquela alegria imensa... até que decidi contar à minha irmã, uma vez que ela era a única pessoa que conhecia o nosso percurso nas sucessivas tentativas de engravidar. Ficou felicíssima e eufórica com a ideia de ser tia.
Quatro dias depois aconteceu o aborto e, à medida que os dias foram passando, tive a certeza que "guardar segredo" acerca da gravidez foi a melhor decisão que tomámos. Mas se, por um lado, considero ter sido uma decisão acertada, por outro, fiquei demasiado sozinha a tentar lidar com tudo o que me aconteceu.
O assunto foi evitado entre nós os dois e até mesmo com a minha irmã, porque logo nos primeiros dias fiquei de rastos ao ouvi-la chorar do outro lado do telefone.

Hoje sinto um vazio enorme sempre que a memória me traz as lembranças...

28 setembro, 2012

Teste -

Fiz o teste, conforme a indicação que o GO me deu, e o resultado foi negativo. O meu corpo deverá agora recuperar aos poucos. Na verdade, toda esta situação está a ser muito difícil de resolver, sobretudo, a nível psicológico e emocional, porque em termos físicos a dor e as complicações foram bem menores...