No final de Dezembro de 2011 decidimos que havia chegado a hora de fazer crescer a nossa família. Consulta com GO, abandono da pílula, início do ácido fólico e luz verde para avançar.
Mês após mês, o desejo de conseguir engravidar ia crescendo abruptamente e a frustração era tremenda porque isso não acontecia. Ele, que meses antes tinha a plena convicção de que seria "à primeira", começou a revelar algum desconforto e receio com o passar do tempo. Eu fui lutando contra a ansiedade, essa grande inimiga que me assolava permanentemente.
Ambos depositámos muitas expectativas no mês de Agosto porque as férias possibilitariam mais momentos a dois, longe do stress e da rotina.
16 de setembro de 2012
No Domingo acordámos bem cedo, pelas 7h00. Fiz o teste e sentei-me na base do chuveiro enquanto esperava o resultado. Ele, encostado à porta do wc, ouvia-me dizer:
- "Sonhei que estava grávida..."
- "E estás", respondeu.
- "Oh, estás a brincar?"
Olhei para o teste, extasiada com aquela possibilidade, e era absolutamente verdade. O teste digital acabava de mostrar o resultado: Grávida 1-2.
Nenhum abraço foi tão intenso quanto aquele e, entre sorrisos e lágrimas, vivemos um momento pleno que eu não sou capaz de traduzir.
Seguiram-se dias em que a felicidade estava estampada no rosto. Permiti-me as primeiras carícias na barriga e os primeiros sonhos para aquela vida que crescia dentro de mim. Vivi obcecada com o meu estado de grávida, do qual não conseguia desligar por um único momento. Ele chamava-me mamã e eu, espontaneamente, sorria. Aliás, por estes dias, sorrir era a coisa mais natural do mundo.
20 de setembro de 2012
O despertador tocou às 7h10 de quinta-feira. Acordei de bem com a vida, apesar de sentir as pernas doridas, como se tivesse percorrido um bons quilómetros, e ainda algum desconforto, que eu entendi como sendo consequência da dor constante que havia sentido nas costas no dia anterior.
Um pouquinho de sangue apareceu quando estava no wc, e foi o suficiente para me deixar em pânico. Fomos diretamente para o Hospital e no caminho eu sentia-me sufocada pelo medo. Da triagem fui imediatamente para o piso de Obstetrícia, mas esperei uns longos 40 minutos antes de ser chamada. Quando entrámos no consultório deparei-me com o Diogo. O Diogo foi meu colega de escola durante 5 anos e, naquele momento, ver uma cara conhecida fez-me sentir mais aliviada.
Grávida de 6 semanas e 1 dia, tentei concentrar-me nas palavras do Diogo que, pausadamente, ia explicando o que poderia estar a acontecer. Chamou uma outra médica para me observar, de modo a que eu não me sentisse constrangida. Na verdade, eu não me sentiria nada desconfortável, eu só queria que me observassem de uma vez por todas e dissessem que estava tudo bem, que não tinha passado de um susto, embora eu soubesse que o sangue que continuava a perder fazia adivinhar precisamente o contrário. E o pior diagnóstico confirmou-se. "O teu útero já está vazio, querida", dizia a médica...
Eu perdi o meu bebé.
Aborto espontâneo!
Mês após mês, o desejo de conseguir engravidar ia crescendo abruptamente e a frustração era tremenda porque isso não acontecia. Ele, que meses antes tinha a plena convicção de que seria "à primeira", começou a revelar algum desconforto e receio com o passar do tempo. Eu fui lutando contra a ansiedade, essa grande inimiga que me assolava permanentemente.
Ambos depositámos muitas expectativas no mês de Agosto porque as férias possibilitariam mais momentos a dois, longe do stress e da rotina.
16 de setembro de 2012
No Domingo acordámos bem cedo, pelas 7h00. Fiz o teste e sentei-me na base do chuveiro enquanto esperava o resultado. Ele, encostado à porta do wc, ouvia-me dizer:
- "Sonhei que estava grávida..."
- "E estás", respondeu.
- "Oh, estás a brincar?"
Olhei para o teste, extasiada com aquela possibilidade, e era absolutamente verdade. O teste digital acabava de mostrar o resultado: Grávida 1-2.
Nenhum abraço foi tão intenso quanto aquele e, entre sorrisos e lágrimas, vivemos um momento pleno que eu não sou capaz de traduzir.
Seguiram-se dias em que a felicidade estava estampada no rosto. Permiti-me as primeiras carícias na barriga e os primeiros sonhos para aquela vida que crescia dentro de mim. Vivi obcecada com o meu estado de grávida, do qual não conseguia desligar por um único momento. Ele chamava-me mamã e eu, espontaneamente, sorria. Aliás, por estes dias, sorrir era a coisa mais natural do mundo.
20 de setembro de 2012
O despertador tocou às 7h10 de quinta-feira. Acordei de bem com a vida, apesar de sentir as pernas doridas, como se tivesse percorrido um bons quilómetros, e ainda algum desconforto, que eu entendi como sendo consequência da dor constante que havia sentido nas costas no dia anterior.
Um pouquinho de sangue apareceu quando estava no wc, e foi o suficiente para me deixar em pânico. Fomos diretamente para o Hospital e no caminho eu sentia-me sufocada pelo medo. Da triagem fui imediatamente para o piso de Obstetrícia, mas esperei uns longos 40 minutos antes de ser chamada. Quando entrámos no consultório deparei-me com o Diogo. O Diogo foi meu colega de escola durante 5 anos e, naquele momento, ver uma cara conhecida fez-me sentir mais aliviada.
Grávida de 6 semanas e 1 dia, tentei concentrar-me nas palavras do Diogo que, pausadamente, ia explicando o que poderia estar a acontecer. Chamou uma outra médica para me observar, de modo a que eu não me sentisse constrangida. Na verdade, eu não me sentiria nada desconfortável, eu só queria que me observassem de uma vez por todas e dissessem que estava tudo bem, que não tinha passado de um susto, embora eu soubesse que o sangue que continuava a perder fazia adivinhar precisamente o contrário. E o pior diagnóstico confirmou-se. "O teu útero já está vazio, querida", dizia a médica...
Eu perdi o meu bebé.
Aborto espontâneo!
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