Quando criei este blog não tive mais do que a intenção de exteriorizar o que estava a sentir e de encontrar uma forma de poder falar abertamente sobre esta viagem turbulenta. Escrever sempre foi, para mim, uma excelente forma de me expressar, sobretudo no que toca a emoções. Nestes últimos tempos tenho vivido de forma sufocada, tal a contenção a que me tenho sujeitado...
Quando tive a confirmação de que estava grávida resisti à tentação de dar, imediatamente, aquela que eu sabia ser uma notícia maravilhosa para pessoas muito importantes na minha vida. Só eu e ele partilhámos aquela alegria imensa... até que decidi contar à minha irmã, uma vez que ela era a única pessoa que conhecia o nosso percurso nas sucessivas tentativas de engravidar. Ficou felicíssima e eufórica com a ideia de ser tia.
Quatro dias depois aconteceu o aborto e, à medida que os dias foram passando, tive a certeza que "guardar segredo" acerca da gravidez foi a melhor decisão que tomámos. Mas se, por um lado, considero ter sido uma decisão acertada, por outro, fiquei demasiado sozinha a tentar lidar com tudo o que me aconteceu.
O assunto foi evitado entre nós os dois e até mesmo com a minha irmã, porque logo nos primeiros dias fiquei de rastos ao ouvi-la chorar do outro lado do telefone.
Hoje sinto um vazio enorme sempre que a memória me traz as lembranças...
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