No rescaldo da Páscoa e com um dia maravilhoso como o de ontem, em que o sol foi rei, fizemos-nos à estrada a meio da manhã, só os três. O destino não estava definido e, às tantas, decidimos que o almoço seria à beira-mar. Chegámos ao restaurante onde o cheirinho a grelhados se sentia à porta, pouco passava das 12h, e eu temi o pior quando, 5 minutos após termos sentado à mesa, o baby já estendia os bracinhos para sair da cadeira. Acalmou com um pão, comido de empreitada. Depois? Depois, pediu e comeu outro pão. Comeu a sopa. Enquanto explorou o brinquedo que a madrinha deu, nós, os pais, almoçamos umas belas espetadas e bebemos um rosé fresquinho, tudo na paz, (ele não quis, obviamente falo das espetadas, não sou tolinha em lhe oferecer vinho).
Dali seguimos para a praia propriamente dita e não sei qual de nós estava mais feliz. Vê-lo correr com o vento a levantar os caracóis é uma imagem que faz um quadro tão bonito, vocês nem calculam.
Tudo muito bem até à hora em que quisemos colocá-lo na cadeira auto. O sono era tanto que fez a maior birra de sempre. Uma coisa impressionante. Eu também não tinha vontade de ir embora e não foi por isso que me esfalfei a chorar. Acontece que o miúdo, do alto do seu ano e meio, fez com que a mãe descobrisse que ele tem uma força tremenda e nem o pai conseguiu domar a fera. Gritava, esperneava e as lágrimas lavavam-lhe o rosto quando, já descontrolada, lhe mandei um berro como nunca tinha feito antes, porque o "vá lá bebé" não estava a resultar. Lembrei-me, imediatamente, de uma cunhada minha que grita com os dois putos desalmadamente, uma memória que eu não quero repetir (prefiro pensar que com alguma calma e doses industriais de paciência o desfecho possa ser diferente de uma mãe de timbre rouco e crianças que choram até mais não).
Adormeceu e acordou ainda na viagem para casa. Estacionámos, subimos ao apartamento para lhe dar o lanche e lá fomos, novamente, felizes e contentes, com a bola debaixo do braço, desta vez para o parque. Vivemos tudo outra vez, a parte boa, com um entardecer num relvado cheio de pais e crianças, e a parte má, com mais birras por não querer ir embora. Deitou-se no chão e chorou. Se pegávamos nele, chorava ainda mais. Se o deixávamos ali estendido, acabava por acalmar-se mas à nossa aproximação voltava a encenar todo um espectáculo. Não deixei que os olhares dos outros me fizessem ruborizar a face, mas posso apostar que alguns eram de reprovação...
Chego à conclusão que não custa assim tanto ter um filho, e olhem que no meu caso ainda doeu muito, custa é educá-lo. E o medo de falhar é gigante.
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